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Camerino Eloy Neto
 





Então tá decidido - disse. 
O olhar dela, em instantes, passeou entre incredulidade e terror. Como se aquela frase fosse algo abominável,  uma bomba jogada do nada. Por um momento ele vacilou, pensou em voltar atrás, recomeçar uma “D.R”. Tentar explicar os motivos que o levaram aquela decisão. Mas lembrou das inúmeras outras vezes em que cedeu. E ficou triste, cansado... 

Você quem sabe... - era a resposta padrão. Aquela dos que não querem se comprometer e colocam o peso das decisões nos outros. 

E uma nuvem de desconforto se instalou no ambiente. O clima de estranhamento dos momentos em que íntimos se tornam desconhecidos.  Ela ainda tentou ensaiar algum diálogo com temas banais, como se chegar aquele ponto tivesse sido algo bastante tranquilo. Tipo: vida que segue....

Ele respondeu de forma mecânica. Lembrou que já havia visto aquele filme algumas vezes. Papinhos sem maiores comprometimentos, seguido de algumas risadas e depois a “reconciliação”. E a sujeira sendo jogada para baixo do tapete.

Sim, eu juntei todos os vacilos, as pisadas na bola, os silêncios onde se exigiam respostas sinceras - teve vontade de gritar - Não, não era pra fazer uma inquisição, um julgamento, um acerto de contas sem aviso prévio, sem direito de resposta...

Sim, eu deixei que você ultrapassasse todos os limites. Ou melhor: não te dei nenhum. Me anulei... Mas não - continuaria gritando, se tivesse forças - não é porque não tenha amor próprio. Não! O que tinha era amor... e esperança de que um dia você visse que eu estava esperando que as coisas ficassem claras, sem mentiras, sem jogos de poder....  e seguiríamos, a partir daquele momento, numa vida nova, real. 

Sim, eu ainda espero que você tente fazer alguma coisa por nós.  Acredito que aí dentro tem a pessoa que enxerguei... - nesse ponto começaria a  falar pausadamente - Não, não era uma fantasia romântica, era uma realidade que está aí e você ainda não descobriu... Mas não, não posso esperar, indefinidamente, esse nascimento de você mesma. 

Sim, eu tenho tempo pra te esperar. Mas não, esse tempo não é o meu, é o seu. Sim, você vai continuar fazendo parte da minha vida. Das lembranças e das coisas que poderíamos ter vivido. Não, não tenho mágoa... Talvez nutra uma certa melancolia, como as que mantinham ativos os poetas dos século XIX.

Sim, eu estou indo... Mas não, não foi uma decisão minha. Em última analise quem decidiu foi você.  Não, não  são só as atitudes que movem o mundo. Muitas vezes, a falta delas é que traça o “destino” das pessoas.  

A mim, só resta acatar o que foi “decidido”, sem maiores dramas. É respirar fundo e torcer para que as novas decisões venham como as ondas que quebram na areia. Serenas, belas, maleáveis... E não como um muro de concreto, que segrega, distancia... Não é esse o caminho das pessoas. O natural, ainda que a humanidade não se tenha dado conta, é seguirmos compartilhando, construindo, aprendendo juntos. Pelo menos é nisso que acredito...

Então tá decidido - disse. 














 



Escrito por Camerino às 12h27
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