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Camerino Eloy Neto
 

 

 

 

Ah, então isso  é que vocês chamam de amor? Agora começo a entender por que o vosso planeta é chamado de provas e expiações. Um lugar onde o principal sentimento pode levar à vida plena ou à morte absoluta, não é o que se pode chamar de cenário perfeito. Nós, na nossa galáxia, estamos estudando vocês já há bastante tempo, mas toda vez que entrava o que chamam de amor, todos os dados, números e tabelas não serviam para nada.

Então fui enviado nessa missão, com um corpo igual ao de vocês, tentar decifrar o que acontece quando as pessoas amam. Antes, mergulhei na alma dos poetas e artistas, esses que vocês dizem ser os mais apaixonados.  E aí já começou a confusão. Os humanos separam o que é amor e o que é paixão. Como se essa última, que move o mundo, fosse menos importante que o primeiro.

Tentei então me fixar só no que a maioria diz ser o amor. E mais uma vez me deparei com muitos tipos. Há o materno, o fraternal, o de amizade... Esses são considerados superiores, como se não tivessem a mesma carga de paixão do que se convencionou chamar de amor carnal. Mesmo sem ter a confirmação científica desse fato, dado os inúmeros casos em que os primeiros  se comportam tão apaixonadamente com o último, dei o recorte da minha investigação no amor entre duas pessoas.

Qual não foi a minha surpresa ao me deparar com outras tantas formas de amar. E a cada uma delas vem acoplado uma série de convenções, pré-conceitos e “certezas”  que não só dificultava a minha pesquisa, como me deixava perplexo com a quantidade de dor  que pode estar ligada a um sentimento que, em tese, seria o de generosidade, abnegação, compaixão, sublimação.

O que vi, foram os personagens que já conhecia através  da literatura, com seus dramas mais cruéis,  desfilarem por meus olhos. E aí, não importava os valores culturais, religiosos, de classes, de sexo. Todos se perdiam entre dúvidas, certezas pessoais, razões. No final o que se via era seres se distanciando do que eles mesmo acreditavam ser o amor.

No vosso corpo humano, percebi como é difícil entender ou simplesmente lidar com o conceito de amor. Como seres tão suscetíveis aos sentidos podem conviver com o mais divino dos sentimentos?  Quando já estava prestes a concluir que a vivência do amor era incompatível com a essência terráquea, fui, com o corpo dos humanos, acometido por um sentimento que não cabia em mim.

Tão grande e intenso que o objeto amado se assustava com tamanha força e as milhares de   possibilidades que se abriam com ele. Caminhos que exigiam como passaporte o total desapego do ego. Justamente o ego, que nem mesmo eu, que propunha aquela viagem, conseguia deixar pra trás. O que vivi foi um total descompasso. Como numa montanha russa, alternei os momentos de total alegria e paz e de dor e caos. 

Cheguei à beira da loucura. Tentei de todas as formas, moldar meus atos, sentimentos. Numa busca desenfreada para ter, pra mim, a essência do outro. Dei ao outro, ou pelo menos assim acreditei, a minha própria essência. Mas nada disso adiantou. E quando percebi, estava  sozinho.

Eu e um caldeirão de emoções. A conclusão da minha vinda a Terra já estava quase pronta. Era impossível amar e ser feliz. Foi aí que algo, no meu coração humano, nasceu. Como uma fresta de sol no meio de um dia nublado. Uma certeza de que viver valia a pena. Mais que isso: era necessário.

Talvez exista  algum lugar no universo onde o amor seja pleno. Esse, sem cobranças, egoísmos, trapaças, tentativas de vilipêndios... Mas pra se chegar a ele, tem que se passar pela prova da aventura louca de se lançar. Só os humanos que se lançaram conseguiram chegar a algum lugar.

Nesse pódio, alguns - diria até que a grande maioria – chegavam com suas almas destroçadas. Mas como foram movidos com a pureza do coração, lá encontravam o acalanto pra todo o corpo. Foi assim que pude voltar para o meu planeta com o resultado das minhas investigações. Meus pares não acharam que a minha missão na terra tivesse alcançado êxito. Eu não trazia respostas, ao contrário, fui fisgado pelo bichinho da dúvida. Mas estava de alguma forma pleno e cheio de vontade de construir  caravelas e atravessar outros tantos mares do desconhecidos.



Escrito por Camerino às 20h32
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