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Camerino Eloy Neto
 

Tempo

- Abusei do direito de errar “feio e bastante” contigo. Tenho consciência disso... E os erros foram repetidos muitas vezes... - a voz, em tom confessional, saía com certa dificuldade.

- E o que você quer que eu faça com essa declaração? – perguntou depois de um silêncio.

- Que tente me entender... ou, ao menos, perdoar...

- Entender?!!! Todo mundo sempre tem alguma razão pra agir, não?... Perdoar?... O que vai significar o meu perdão?

- Que não está com raiva de mim...

- (riu antes de responder) E...?  Se não estiver? – riu outra vez.

- Você não está facilitando as coisas. Foi tão difícil conseguir convencer a nos vermos novamente...

- Pois é. Você insistiu tanto nesse encontro que esperava algo mais concreto. Essas suas conclusões estão meio fora de hora... Não estou querendo fazer você sentir mais ou menos culpa.

- Talvez esse seja o problema (interrompeu). Você nunca se comprometeu com nada. Sempre tão blasé... Tão acima do bem e do mal... Isso ia me desestruturando. Tudo bem, eu não sou uma pessoa fácil... não sei lidar com o sentimento... Uso de agressividade... Meto os pés pelas mãos... Mas se tem uma coisa que não se pode dizer é que não deixo claro o que quero.

- Sério?  Tem certeza disso?  – usou toda a ironia que podia – Isso é uma novidade pra mim. Tudo, sempre, pareceu tão confuso. Você dizia uma coisa e fazia outra.

- É esse jeito... Nunca soube lidar com você.

- Entendi. Você me chamou até aqui pra dizer que seus erros, na verdade, são meus. Ok, então está dito – foi levantando.

- Espera (falou segurando pelo braço). Não é nada disso...

- E o que é então?... O que quer ouvir de mim? (voltou a sentar). Esse é o “seu” problema. Você cria umas histórias e mergulha nelas, de cabeça, mas esquece do outro que, teoricamente, deveria fazer parte delas.

- Mas eu sempre quis compartilhar uma história contigo – o tom era quase de desespero.

- Para. Para de se enganar. Você criou uma história sua.  Eu sempre deixei bem claro o que queria e até onde podia ir. Você não ouviu por que não quis. Agora pague o preço pela sua prepotência disfarçada de autismo.

- Você está sendo muito cruel. Estou sofrendo... Não queira que nossa história terminasse assim... Na verdade, não acredito que a nossa história tenha acabado ainda....

- Olha ela aí mais uma vez. A certeza de que “a” verdade está com você. Não entendo a sua insistência em ter alguém.  Na verdade não precisa de ninguém.  Quer uma “coisa” que atenda a todos os seus desejos. É impressionante como não tem noção disso...

- Isso não é verdade. Estou o tempo todo me humilhando, pedindo pra você me dar uma chance...

- De provar que você está com a razão...(interrompeu novamente)

- É, acho que não foi uma boa ideia esse encontro. A mágoa é maior do que eu pensava.

- É tão difícil pra você aceitar que talvez não haja mágoa? Pensa que, quem sabe, eu só não sou aquela pessoa moldada por sua vontade. Vai ser tão menos doloroso admitir que o ser humano pode querer fazer suas próprias escolhas. Escolher onde, quando e até que ponto quer ir. Isso nunca terá a ver com o que “você” pré-determinou... Gosto de você, mas sou eu quem vai dizer o quanto e como isso vai acontecer. Amar não é questão de poder, saber quem tem o controle. Quando entender isso, quem sabe, a gente possa voltar a se encontrar...

- O que tenho medo é de ter perdido pra sempre a chance  de compartilhar contigo uma história...

- Bom, isso é mais uma das coisas sobre as quais você não terá o domínio nunca: o tempo... Se curvar a ele, talvez, seja um bom início de aprendizado – disse, levantou e saiu calmamente.

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por Camerino às 11h06
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