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Camerino Eloy Neto
 

Caim, Abel e os crimes nossos de cada dia

 

 

 

A pergunta deixou o ar tão tenso que seria possível cortá-lo ao meio com um punhal. Não que a conversa até ali tivesse sido agradável, muito pelo contrário. Mas naquele momento, aquelas palavras, levaram o clima ao grau mais alto de tensão.

 

- Você faz isso com todo o mundo? – disse, mais afirmando do que perguntando realmente. Pior, aquilo era quase uma acusação, dessas que já condenam sem direito a qualquer defesa. 

 

Me senti acuado, assustado e perplexo. Não estava acostumado ao papel de algoz. Sempre levei a sério a máxima da canção de rock: me obrigue a morrer, mas não me peça pra matar. 

 

A acusação trazia ainda um tom de ameaça. Por entre dentes e nas entrelinhas, a pergunta deixava claro que o assunto não havia se encerrado. Outro confronto haveria de acontecer. Tinha que estar preparado para ele.

 

Caminhei por entre a multidão, sem enxergar nada nem ninguém. Estava demasiadamente envolvido com aquela questão. Pela primeira vez, alguém me acusou de causar dor propositadamente.

 

Já sabia que no universo vivem dois tipos de tribos. Os descendentes de Caim e os de Abel. Os que matam e os que morrem. Eu pertencia ao segundo grupo, tinha certeza. Mesmo sabendo que a “culpa” dos que se deixam assassinar não é menor do que a dos assassinos.

 

Mas o que se apresentava agora era a possibilidade de estar, também, no mundo dos mais cruéis. Aqueles que não se importam com a dor causada a outros. Os acometidos pela doença do egoísmo.

 

 

- Você faz isso com todo o mundo? – a pergunta afirmava uma total falta de preocupação com o próximo. Uma forma de viver que não estava acostumado e, até então, não reconhecia em mim.

 

Passaram algumas noites. O medo do novo confronto diminuiu. A análise de toda a situação ficou mais clara e pude descobrir uma outra faceta da minha alma.

 

- Você faz isso com todo mundo?

 

Não, só com algumas pessoas. Encontros aos quais me dedico quando estou demasiadamente sozinho e perdido, querendo aplacar minhas necessidades animais.  Aqueles que não lembramos na manhã seguinte. Que invariavelmente deixam prejuízos; de todos os tipos. E que agora, sei, causam estragos também. Vão além da minha mísera dor.

 

A questão, depois de descobrir que mesmo na torpeza há de existir humanidade é:

 

- Você, tem noção do que faz no mundo?

 



Escrito por Camerino às 12h32
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