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Camerino Eloy Neto
 

Trevas

 

Seu tempo estava se esgotando. Precisava cometer a maldade do dia. A luz já havia chegado e nenhuma “razão” tinha aparecido. Rondou noite e madrugada escondido nas trevas a procura do momento certo. Mas nada.  Nenhum assalto, nenhuma briga nenhuma confusão que permitisse exercitar sua sede de destruição.

 

 

Nasceu com aquele ódio, aquela necessidade de acabar com a “perfeição” do mundo. Detestava cruzar a vida e perceber o equilíbrio com que o universo se mantinha. Quando se olhava no espelho  reconhecia a marca animalesca do mal. E gostava dela. Era o que o mantinha no poder.

 

A luz começava a doer em seu corpo. Os olhos já não tinham a nitidez das trevas. Precisava agir rápido. Foi quando viu as suas possíveis vítimas. Três otários que àquela hora “ousavam” entrar num bar de uma rua transversal ao point da boemia que foi “invadido” pelos bacanas.

 

Ali estava sua salvação. Mas tinha que agir rápido. Se aproximou do grupo. Dois gringos e um playboyzinho todo malhadão. Quando foi falar com os três o garotão veio ao seu encontro. Estava definido. Era com ele com quem iria “acertar as contas”. Perguntou se os três estavam atrás de um bagulho.

 

O playboy balbuciou alguma coisa. O mané tava bêbado, riu por dentro, e colocou em prática todo o ódio. Arrastou o cara pelo braço para uma outra rua enquanto percebia as poucas pessoas que estavam ali correrem dele. Viu que o comparsa se aproximava e resolveu começar o espetáculo da selvageria. Ao mesmo tempo em que levava o cara para um lugar mais esmo, o enchia de porrada.

 

O malhadão não conseguia revidar, nem apareceu ninguém do grupo dele para que a brincadeira ficasse melhor. Ficou com mais ódio ainda, que merda ia ser matar aquele cara de pancada, se ele não reagia... Foi aí que viu a garrafa.

 

Mais uma vez, riu por dentro. Não ia matar o mané.  Ia acabar com a vida dele, deixando ele vivo. Seria um golpe de mestre!!!!! Deixou o comparsa se divertir um pouco mais dando uns chutes no cara que já estava no chão, sangrando, e partiu para pegar a garrafa.

 

Foi tudo muito rápido. Mas ele saboreou cada instante. Quebrou a garrafa e se dirigiu ao playboyzinho que continuava sem esboçar reação. Olhou o rosto e pensou em quantas pessoas já haviam admirado aquela “criação divina” com contornos perfeitos. Estava a beira de dar uma gozada de tanta satisfação.

 

O corte tinha que ser perfeito. Destruir sem acabar. Marcar a carne e a alma. Abrir a possibilidade da revolta dos “bons”. Fazer com que as pessoas duvidassem da bondade e guarda divina. Plantar a semente do ódio na alma de muitas pessoas. Abriu o rosto do rapaz e correu certo de que aquele corte iria doer em muita gente.

 

Se sentiu virando o jogo, de goleada, aos quarenta e cinco do segundo tempo. Agora podia voltar às sombras. Certo de que havia vencido mais uma batalha. Viriam outras e a cada uma que ganhava, ficava mais forte.  

 



Escrito por Camerino às 13h59
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