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Camerino Eloy Neto
 

 

 

Os olhos do rapaz procuravam o melhor local para cumprir as ordens recebidas. Os da moça se enchiam de brilho lembrando das previsões que prometiam um novo amor. Os do homem estavam embaçados, de álcool e de cansaço. Os da mulher traziam a certeza da fé cega. Nos olhos do velho podia-se ver uma certa dose de sabedoria. Nos da velha, uma melancolia. Resultado das perdas que tinha sofrido ao longo da vida.

 

Ali também estavam os olhos do menino -  atentos, quase sem piscar para não perder nada do que estava por acontecer -  e os da menina – que não paravam de percorrer cada canto daquele lugar, cheio de sede e de sentidos.

 

Então o som se tornou ensurdecedor. Um clarão transformou, por instantes, a noite em dia. Naquele momento a multidão compartilhava da mesma coisa. Mesmo fragmentado, desfrutava de um olhar único, milagroso, libertador.

 

 

 

 

Como num passo de mágica, o rapaz, a moça, o homem, a mulher, o velho, a velha... todos ganharam olhos novos, inocentes e cheios de vida como os do menino e da menina. Como se o tempo e o espaço não fossem mais uma limitação, participaram daquela energia.

 

O rapaz esqueceu da ação sangrenta que deveria executar dentro de poucos minutos. A moça se encheu ainda mais daquele amor que esperava encontrar. O homem teve um momento de lucidez, onde se sentiu revigorado. A mulher agradeceu às forças da natureza e pediu pela harmonia do planeta. O velho respirou fundo e tranquilamente. A velha se deixou levar pelas boas lembranças.

 

O menino, extasiado, vivia ativamente aquele momento. A menina, com sua sede de viver, abriu os braços querendo receber o mundo e gritou:

 

- Feliz ano novo!!!!!!

 

A frase se propagou por entre as pessoas. Aquilo era um ritual, e como todo ritual tinha conexão direta com os deuses.

 

O que o rapaz,  a moça, o homem, a mulher, o velho, a velha... fariam a partir dali, era responsabilidade de cada um. Mas era inegável que tinham participado de um milagre. Por um instante  tiveram os bons olhos das crianças.

 



Escrito por Camerino às 16h01
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