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Camerino Eloy Neto
 

Luzes do Natal

 

 

Aí estão elas de novo. As luzes do natal! Independente de crenças e críticas, uma coisa é incontestável, a cidade fica mais “clara” e bonita. E com que mundo mais maravilhoso podemos sonhar? Talvez até existam outros adjetivos que melhorem a vida nossa de cada dia: leveza, compreensão, solidariedade, alegria. Mas se me pedissem para ilustrar um universo perfeito, certamente o faria belo e iluminado.

 

Nós, que vivemos ao sul do equador, ainda ganhamos da mãe natureza um presente a mais. O verão se torna senhor das nossas vidas. Dias longos, noites coloridas e cheias de encontros.  Mesmo os agnósticos de plantão, que questionam tudo e todos, serão obrigados a admitir que o tal espírito natalino existe.

 

Afinal, por um período, todo mundo é obrigado a pensar no outro. Seja para cumprir um compromisso social, profissional, familiar. A verdade é que somos levados a lembrar dos companheiros de trabalho, dos amigos que estão distantes, daquele tio que vira a atração da festa.

 

 

Então, se o natal é inevitável: relaxe!!! Aproveite o cenário armado, o clima no ar e faça de todos os encontros, mesmo aqueles que não passam de mera formalidade, momentos luminosos e bonitos. E como logo depois do natal vem o ano novo, com suas promessas e desejos de mudanças, coloque no mesmo pacote a intenção de reproduzir e espalhar, de agora em diante e em longa escala, luz e beleza pelo mundo afora.

 

Beijos,

 

Camerino Eloy Neto



Escrito por Camerino às 18h43
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Encontro

Tinha entrado naquele boteco há pouco mais de 10 minutos. A chuva de verão, como sempre, alagou a rua que dava acesso a sua casa. Sem outra opção teve que buscar abrigo naquela espelunca.

 

O velho balconista veio atendê-lo. Como teria que passar mais algum tempo dentro do bar, pediu uma cerveja que não tinha intenção de beber. Foi aí que viu o tal sujeito. Ele tinha acabado de botar uma moeda na máquina de azar. Apertou o botão causando aquele som insuportável.

 

O hippie tomou o último gole da pinga que estava no balcão e esfregou as mãos numa atitude nervosa. A máquina parou sem formar combinação alguma  Quando percebeu que o estranho olhava pra ele, se aproximou.

 

- O Dr. não quer dá uma olhada no trabalho? É material de primeira, pode conferir – disse.

 

- Não quero comprar nada não, amigo – respondeu, querendo por fim a conversa.

 

Abriu a mochila para arrumar alguma coisa, deixando cair uma mamadeira.  Quando percebeu que o estranho voltava a olhar pra ele explicou – É do meu filho. Tenho dois...

 

- Duas crianças? Onde elas estão? – se interessou o estranho. Não entendia como gente como aquela tinha filhos... Com certeza os meninos estavam em alguma esquina pedindo esmolas.

 

- Numa pensão com a mãe. Tenho que arrumar algum pra comida deles. Mas tá difícil. Tem três dias que estou aqui e não consigo nem conversar com as pessoas, quanto mais vender alguma coisa... Essa cidade é muito difícil...

 

Ele estranhou aquela afirmação. A cidade era famosa no mundo inteiro pelo calor humano dos seus moradores. Mas percebeu que o visitante estava sendo sincero. Foi aí que aconteceu:

 

- Não, cara. A cidade é maravilhosa.  Não merece que  fique com essa má impressão. Você pegou um clima chuvoso. Aqui, quando chove as pessoas ficam cinzentas. Nem saem de casa.

 

Ele não acreditava naquela cena. Estava ali, na frente de um hippie que mal conhecia, fazendo quase que uma ode sobre uma cidade da qual vivia reclamando. Do trânsito, da violência, do calor, das multidões....

 

- Escolha algum trabalho – falou o hippie interrompendo seus pensamentos - Quero lhe dar um presente. Nesses três dias que estou aqui você foi a única pessoa que parou para falar comigo. Vou fazer alguma coisa que lhe sirva – disse pegando um pedaço de arame e o alicate.

 

Ele ficou olhando a destreza do hippie e pensando naquela situação. Se alguém lhe dissesse que algum dia estaria vivendo tal encontro, riria incrédulo. Mas o fato é que estava ali, e, melhor, estava feliz consigo mesmo. Tinha acabado de descobrir duas coisas muito boas. Primeiro que podia ser mais simpático com as pessoas e segundo que adorava morar naquela cidade.

 

- Está aqui. É um porta-incenso – o hippie havia acabado seu trabalho.

 

O rapaz tinha talento.  O presente era bonito, de bom gosto. Agradeceu e percebeu que a chuva tinha passado. Se despediu e saiu.  A partir daquela noite passou a acender incensos.

 

 

 



Escrito por Camerino às 22h47
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