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Camerino Eloy Neto
 

Sorriso

 

Ainda trazia na mente aquela imagem. Fazia questão de não apagá-la da retina. Já se passara alguns verões desde que a cena havia acontecido. Mas cada vez que aquela  lembrança  voltava, o cheiro e as cores daquele momento também invadiam seu ser. Era como se um raio de sol iluminasse sua existência.

 

Foi num início de manhã. Ela queria se levantar na intenção de resolver algumas questões práticas. Afinal era o primeiro dia da semana. A folga e as férias ficaram para trás. Mas alguma coisa a deixou presa à  cama. E estava ali,  já fazia algum tempo. O máximo que conseguira foi se sentar.

 

Ele dormia tranquilamente. Ela velava seu sono. Escaneava, com os olhos, cada centímetro do corpo dele. Nem acreditava que estivesse ali.  Pensava nas canções que falavam de amores de verão. Achou que ainda não haviam escrito uma que descrevesse aquela história. Também não encontrava nas obras de arte nada que se aproximasse da perfeição daquelas forma... Homem, menino. Delicadeza, fortaleza. Fúria, paz...

 

Estava nesse devaneio quando ele se mexeu. Suspirou e virou de lado. Então aconteceu. Nunca havia presenciado momento tão sublime. Ele riu enquanto dormia. Foram só alguns instantes. Para ela, uma eternidade... Dormia, sonhava e sorria... Como um anjo... Imediatamente foi tomada por uma paz. Pensou em abrir todas as janelas e portas.  Tinha impressão de que aquela luz não cabia num quarto tão pequeno. Era necessário, urgente, compartilhar aquilo com todo o universo.

 

Ficou curiosa para saber com o que ele estava sonhando. Fantasiou que era com ela, para perceber logo em seguida que tanto fazia o motivo, o que valia ali era o resultado. Mesmo assim esperou ele acordar e perguntou. A resposta veio rápida e sincera.

 

- Sei lá. Só sei que era bom... - falou e se virou para o outro lado.

 

Ficou meio paralisada. Às vezes, a verdade pura, sem rodeios ou enfeites, cai como uma bomba. Era simples demais. Onde estavam os questionamentos, os caminhos tortuosos, a dor necessária para se ter direito a alguns instantes de felicidade? 

 

Pensou no que acabara de ouvir e descobriu uma  segunda pérola: tão ou mais lindo que vê-lo rindo ao dormir como uma criança, era aquela constatação.

 

 

Pra quê procurar a “essência” dos sentimentos, se o que modifica a ordem das coisas é o sentir? E ela não era mais a mesa desde aquela manhã de início de verão. Não precisava  mais entender tudo, só precisava cuidar para  que o sentimento não se congelasse com o passar do tempo.



Escrito por Camerino às 10h16
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