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Camerino Eloy Neto
 

Brenda

 

Tinha uma doçura incompatível com sua condição. Seus pares, na maioria das vezes, escondiam uma imensa agressividade por trás da fragilidade que tanto buscavam alcançar. No final das contas se tornavam uma caricatura da delicadeza. Mas não importava. Afinal, a maioria dos que as procuravam, buscava essa contradição. Era mais fácil conviver no mundo de faz-de-conta do que encarar a dúvida do que se é.

 

Era nesse universo, de regras tão esquisitas e próprias, que ela vivia. Mas destoava dele. Ao invés de odiar e se voltar contra tudo e todos, por causa da sua inadequação – aquele terrível castigo dos deuses-, cultivou uma extrema benevolência pela humanidade.

 

 

Na madrugada, quando os anjos caem e os demônios passeiam livremente, se mantinha com a alma pura. Sim, é possível manter a pureza da alma mesmo quando o corpo é devassado diariamente. Mesmo o dela, aquela brincadeira de mau gosto da natureza. Mas o tempo de questionar já havia passado. Há muito ela havia decidido consertar os equívocos do universo que tantas dores trazem às pessoas.

 

As lágrimas, de quem quer que fossem, tornaram-se suas inimigas. Por isso, agora, andava pelos becos cheios de luxúria e solidão, enxugando faces. Para isso usava dos artifícios que fossem necessários. Naquela guerra, valia tudo. Percebeu que secar as lágrimas dos outros era mais fácil do que imaginara e que qualquer um poderia fazê-lo. Bastava ter vontade.

 

No fundo, o choro é uma forma infantil de buscar comunicação com o outro. É bem verdade que se pode dizer, com o choro inclusive, as coisas mais absurdas do planeta. Pregar  egoísmo, arrogância, intolerância... Ela não estava ali para entender ou julgar ninguém. Seu compromisso era tão somente secar lágrimas, que para ela sempre significavam, em última instância, dor e solidão. Ela sabia muito bem o que isso significava.

 

 

Às vezes, no final da manhã e ainda sem dormir, ela também chorava. Por alguns instantes até desacreditava que encontraria a pessoa que secaria suas lágrimas. Essa angústia, no entanto, se dissipava quando exausta caia num sono tranqüilo onde o que sonhava ser se tornava realidade...

 



Escrito por Camerino às 14h20
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