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Camerino Eloy Neto
 

Embarque

- Será que dá pra me atender, agora? – a pergunta cheia de ironia era, na verdade, uma intimação. O cidadão demonstrava estar com muita pressa.

 

- Pois não – respondeu, sorrindo, o atendente velhinho que acabara de se despedir simpaticamente de outros passageiros.

 

- Quero trocar meus bônus para viagem. Que essa seja a última – disse, incisivo, entregando alguns papéis ao atendente. O velhinho examinou o que acabou de receber, franzindo a testa.

 

- Mas vai ser uma viagem muito cansativa se for feita de uma só vez. Nós temos uns pacotes para transformar o trajeto menos árduo...

 

- Não quero perder tempo – interrompeu o cidadão – essa vai ser a última. Não agüento ficar nesse vai e vem.

 

- É uma cortesia. Queremos apenas deixá-lo mais confortável. Com mais beleza, mais tranqüilidade. É preciso estar tranqüilo quando estamos navegando. Assim evitamos erros de rota, deslizes, acidentes e dores desnecessárias.

 

- Acho que o senhor não entendeu. Já viajei bastante. Sou um marujo: naveguei por todos os oceanos. Não importam as condições do mar. Que tipo de novidade pode ainda me surpreender? – retrucou o cidadão, acreditando em cada palavra que dizia.

 

 

- Mesmo as paisagens que já conhecemos, as condições climáticas totalmente desfavoráveis, podem nos ser apresentadas de forma mais refinada. O aprendizado não tem limites. Além do que, com os bônus que você apresentou,  sua viagem não vai ser de primeira classe – o velhinho tentava convencer o passageiro.

 

- Eu já conheço a primeira classe. Estive nas companhias mais agradáveis, com as melhores recomendações. Minha prioridade agora não inclui nenhum tipo de mordomia. Quero completar o caminho, só isso – retrucou o cidadão, cada vez mais impaciente.

 

- Desculpe se insisto. Mas o nosso desejo é que todos completem o caminho com tranqüilidade. Só estamos sugerindo uma rota...

 

- Que vai aumentar o meu tempo de viagem – cortou o viajante – Não quero promoção nenhuma. Nada me seduz: nem dinheiro, nem beleza, nem conhecimento... vou repetir e espero ser suficientemente claro. Este vai ser o último embarque.

 

O velhinho não retrucou. Num silêncio constrangido, carimbou e entregou o bilhete ao cidadão. Este, tão apressado estava que nem reparou que o atendente respeitou a determinação de ser o último embarque, mas acrescentou a passagem bônus aos quais ele não tinha direito. Isso seria fundamental pra que ele fizesse a travessia. Com eles, uma coisa era certa, mesmo que se tornasse um náufrago conseguiria sobreviver.  

 



Escrito por Camerino às 15h30
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