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Camerino Eloy Neto
 

Bom Dia

 

Bom Dia. As manhãs de setembro já serviram de inspiração para vários artistas. Também, não é para menos. É só olharmos alguns dos signos. Esse mês traz o início da primavera, onde a natureza se põe mais bonita para nosso deleite. Na astrologia, o sol está na casa de virgem, símbolo feminino que nos faz lembrar da fertilidade, da capacidade de criação.

 

Pra começar essa semana eu vou propor que você se deixe levar pelas influências do período e invista na criatividade. Isso não quer dizer que tenha que criar uma obra de arte. Mas você pode, e deve, tentar fazer as coisas de uma forma diferente, colocando um pouco mais de luz, de cor.

 

Esteja em sintonia com o universo e deixe o mundo mais bonito. Cultive o belo que existe dentro e fora de você. Desabroche. Permita que esse estado contagie as pessoas. O Tudo em Dia está começando e no programa de hoje você vai ver...

 

Editorial para o programa de televisão "Tudo em Dia"



Escrito por Camerino às 12h18
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Sobreviventes

 

 Formavam um casal estranho. Durante o dia trabalhavam em ambientes sóbrios, distintos. Começavam a noite em encontros literários recheados de citações e troca de elogios. Mas era na madrugada que a parte mais densa deles vinha à tona.

 

Na hora mais escura, saíam em busca de cenários onde a boemia ganhava cores fortes de decadência. Ali, instalavam seu posto de observação. Mais que isso, se misturavam àquelas pessoas. Queriam histórias, vidas. As tinham pagando alguns tragos.

 

Atuavam como vampiros e sabiam disso. Para eles, se alimentar do que sobrava daquelas vidas era essencial. Depois, em casa, transformavam aventuras e dores em literatura. Frases curtas. Palavras secas. Livros que a crítica dizia estarem repletos de crueza e força. 

 

Era para manter esse “sucesso” que se aventuravam cada vez mais nas loucas noitadas. Almas em busca de luz foram, e sempre serão fontes inesgotáveis para a arte transformadora. O que eles não perceberam em sua fome de vidas, é que o ser humano tem a capacidade de aprender através das experiências do outro, mas é preciso ter suas próprias vivências.

 

Com o tempo, os textos começaram a se repetir. A rotina noturna de  caça por novas histórias, também. Independente dos cenários e das formas como se  apresentam, as dores da alma são as mesmas. 

 

Os elogios foram se tornando escassos. As noites longas. O álcool mais forte. O que era uma investigação do gênero humano se transformou numa hábito vazio beirando o caricato. Frases de efeito entre goles de bebida barata. Uma legião de bêbados e seus murmúrios sem fim.

 

A madrugada começou a invadir o dia. Suas aparências passaram a destoar dos ambientes sóbrios e distintos. As citações não traziam mais qualquer resquício de inteligência. Aos poucos, foram se tornando parecidos com os personagens decadentes que buscavam. Foi aí que pensaram em escrever sobre eles próprios e descobriram, incrédulos, não ter história alguma pra contar.

 

Fugiram da vida, mas ela estava ali, esperando. Era tempo de começar a viver suas próprias dores. Por quê o universo sempre, e a despeito da nossa vontade, nos torna sobreviventes.    



Escrito por Camerino às 21h41
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Lua Nova

 

Amanhã, a lua começa um novo ciclo. É tempo de renovação. As mudanças na natureza que as fases da lua provocam, nos convidam. Que tal tirarmos nossas cascas?

 

Mas pra que isso aconteça é necessário que a gente se esvazie. Quem está cheio de velhos modos e certezas não deixa a luz entrar. É preciso espaço para novas coisas.  A ciência acabou de divulgar: nosso cérebro necessita esquecer e apagar informações, experiências e até pessoas da nossa mente. Lembranças só do que é verdadeiramente necessário.

 

Então, vamos aproveitar a nova fase da lua pra realizar uma faxina na alma. Nada de pensamentos negativos, rancores, desafetos. É chegada a hora de nos abrirmos para o novo. Sem pressa, sem esperar resultados imediatos.

 

Ao final, mesmo que a gente pense que nada mudou, pelo menos estaremos mais leves, mas serenos. Bem mais próximos de nós mesmos e do outro. E não estranhe se, de repente, você se pegar cantarolando, descobrindo pequenos milagres, vendo poesia pela vida afora.   

 

Bom dia, tem tudo a ver fazer um pacto com a felicidade!

 

O Tudo em Dia* está só começando...

 

* editorial para o programa de tv  “Tudo em Dia”  



Escrito por Camerino às 15h50
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Se fosse um filme

 

 Se fosse um filme, provavelmente o início do dia deles seria mostrado simultaneamente. Na primeira seqüência o rapaz mais pobre acordaria com o barulho. A câmara revelaria ser um rato caminhando pelo quarto/ casa/ sótão. Em outra, o de classe média despertaria com o toque do rádio-relógio. Na cena seguinte o mais pobre conversaria com a mulher, grávida e com um bebê no colo. Pediria emprestado o walk-man e diria que, enquanto ela estivesse no serviço, ele distribuiria os currículos feitos na associação comunitária.

 

Ficaríamos sabendo, durante o café da manhã, na casa do de classe média ser o  aniversário dele. Como presente, o primeiro salário. Compraria o seu objeto de desejo: um tênis novo. Corta. Comunidade pobre, várias seqüências do mais pobre entregando currículo. Na última delas, vê-se o papel sendo jogado na lata de lixo imediatamente.

 

Escritório. O de classe média recebe a incumbência de atravessar a cidade para entregar uns documentos. Morro. Outro rapaz tenta convencer o mais pobre a comprar uma arma. Ele não aceita. Alega não ter dinheiro. O outro propõe o pagamento com o lucro do primeiro serviço. Corte. Anoiteceu. Trânsito pesado. Um coletivo no mar de faróis de carros. Está lotado. Pessoas voltando do trabalho, estudantes, aposentados. O rapaz de classe média está sentado próximo ao cobrador. Olha a cidade tranqüilamente.

 

- Ele está armado! – grita uma senhora.

 

- Calma tia, se não tiver carnaval, vai terminar tudo na maior limpeza – responde o rapaz mais pobre. Tem o rosto travado. Os olhos vermelhos. Com o revolver apontado para o cobrador pede o dinheiro. O motorista tranca as portas e pisa no acelerador. Pânico dentro do ônibus. O rapaz mais pobre perde o equilíbrio com a arrancada. Num reflexo, se agarra ao de classe média transformando-o em escudo humano.   

  

 Se fosse num filme, numa serie de cenas rápidas, acompanharíamos a vida desses dois meninos quase da mesma idade. O nascimento, o primeiro aniversário, a ida para a escola, as brincadeiras de criança. A primeira medalha esportiva de um. O primeiro delito do outro. A violência sexual contra um. A experiência do primeiro beijo para o outro. Se fosse num filme, o rapaz de classe média talvez dissesse alguma coisa que faria o outro ficar mais calmo. Ou, numa versão mais maniqueísta, o assaltante seria imobilizado sem que a vítima sofresse qualquer arranhão.

 

Se fosse um filme. Mas as cenas da vida real, às vezes, ganham um final tão sem cor, ou, dito de outro modo, com cores fortes demais. Não era um filme e essa história acabou em mais uma página do caderno policial dos jornais. A vida pros nossos dois personagens acabou naquele início de noite.

 

Pra um literalmente. Para o outro, destruindo qualquer possibilidade de futuro. A tela escurece. Talvez as pessoas mais próximas, consigam escrever alguma coisa que dê sentido aquele encontro e transforme em letreiros. De longe, espremido na minha cadeira de espectador, só consigo ficar um pouco mais triste e murmurar uma oração improvisada pedindo perdão pra todos nós.    



Escrito por Camerino às 15h25
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